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Nosso corpo tem Parkinson, nossa alma não!

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Novidades no tratamento do mal de Parkinson serão apresentadas na Rio Neuro 2010

Andrew Lees [University College London]

O Mal de Parkinson, doença degenerativa que atinge 1% da população mundial e cerca de 200 mil pessoas no Brasil, de acordo com dados da Organização Mundial de Saúde, será assunto de uma das mais aguardadas conferências do 24º Congresso Brasileiro de Neurologia. Um dos principais especialistas do assunto no mundo, o neurologista britânico Andrew Lees apresenta pela primeira vez no país a palestra “Brainwashed by the Black Stuff”, que lhe rendeu o prêmio Lord Brain Memorial Medal, graças às suas colaborações científicas na área da neurologia. Em sua apresentação, o pesquisador vai abordar novas formas de tratamento para o mal e aspectos ainda pouco conhecidos da doença, além de dividir com o público a experiência adquirida durante sua carreira clínica.

A palestra “Brainwashed by the Black Stuff” é assim denominada devido ao jogo de palavras com o nome do mais significativo neurologista inglês dos anos 1940-1960, Russell Brain, e a substância nigra (negra, em latim), região do mesencéfalo severamente danificada pela doença de Parkinson. Sem atingir um grupo específico de pessoas, mas com os sintomas aparecendo principalmente nos maiores de 50 anos, o mal provoca a degeneração progressiva de células dessa área, que controla os movimentos e o equilíbrio. Com isso, surgem sintomas como rigidez muscular, lentidão dos movimentos e tremores, principalmente nas extremidades dos membros, com efeitos devastadores na qualidade de vida de quem sofre com o problema.

“O presidente da Academia Brasileira de Neurologia me convidou para repetir no Rio de Janeiro a palestra que apresentei no Royal London Hospital em junho deste ano. Nela, apresento métodos que usei para tentar achar a causa e a cura da doença de Parkinson durante a minha carreira, e aproveito para discutir com os outros especialistas novas possibilidades de tratamento para a doença”, explica o Dr. Andrew Lees, que foi eleito membro estrangeiro da Academia de Medicina Brasileira.

Os tratamentos a que o especialista se refere abrangem desde métodos mais tradicionais e seus efeitos, como as vantagens e desvantagens da reposição de dopamina, até o futuro de terapias ainda controversas e polêmicas, como as terapias celulares à base de células-tronco. “Vou falar também sobre tratamentos ainda em fase experimental, mas com grande probabilidade de dar certo, como o uso da erva chinesa Cogane e do veneno do lagarto monstro-de-gila como potenciais agentes neuroprotetores”, diz o pesquisador. Ele lembra que vai enfatizar, ainda, a importância do tratamento à base de apomorfina, que apesar de muito tradicional no exterior, ainda se encontra indisponível no Brasil por inexplicáveis razões políticas.

Além das formas de tratamento, serão discutidos também aspectos que envolvem o surgimento e a progressão do mal, como a hipótese de existir um evento aleatório que desencadeie o processo da doença em indivíduos geneticamente suscetíveis e estudos que sugerem que o seu desenvolvimento pode começar no mesencéfalo cerca de seis anos antes de os primeiros sintomas motores se tornarem detectáveis. E ao final do evento, serão estudados casos significativos do mal de Parkinson, como o do ex-jogador de futebol inglês Ray Kennnedy, que desenvolveu a doença aos 30 anos de idade, no auge de sua carreira no esporte.

Fonte: Médicos Bem Viver